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Estudo mapeia atividade extrativista das mulheres mangabeiras/pescadoras

Com objetivo de analisar as ações femininas no processo de apropriação da mangaba e da pesca em Indiaroba, um estudo está sendo realizado pela doutoranda em Geografia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Eline Almeida Santos. Segundo a bolsista de doutorado, as populações tradicionais enfrentam problemas socioeconômicos, ambientais e culturais decorrentes da intensa exploração dos recursos naturais, especulação imobiliária, desmatamento de campos nativos e cercamento de terras.

O extrativismo da mangaba e a pesca, praticado predominantemente por mulheres, constituem como atividades relevantes para as famílias, sendo uma das principais fontes de renda. O estudo foi realizado em cinco povoados, com destaque para Pontal. Uma das principais dificuldades apontadas pela doutoranda para a realização do estudo é a ausência de informação sobre as mulheres extrativistas.

“Tenho muitas dificuldades de dados sobre a mulher extrativista, por isso a minha pesquisa exige um trabalho de campo intensivo. Quando estudo as mulheres mangabeiras/pescadoras é na tentativa de trazer para a academia o debate sobre grupos invisibilizados e mostrar para a sociedade que essas mulheres existem e que possuem algumas demandas que precisam ser supridas, como por exemplo, elas têm muitas dificuldades de acesso a terra, a linha de crédito, a direito previdenciário e a educação. Levantar essa discussão implica em pensar formas de minimizar essas demandas”, explica Eline.

O estudo está dividido em três etapas: a primeira etapa é de observação e diagnóstico da atividade. Foram realizadas entrevistas com mulheres e homens que desenvolvem o extrativismo da mangaba e a pesca, gestores e lideranças comunitárias.  Na segunda etapa, foi aplicada uma metodologia de indicadores de resiliência de paisagem, que é uma metodologia estabelecida através da parceria entre o Ministério do Meio Ambiente do Japão (MOEJ) e a Universidade das Nações Unidas (UNU) que faz uma avaliação da resistência, do poder de recuperação daquela paisagem. A doutoranda explica como funciona a metodologia.

“Ela é participativa, pois quem me diz sobre aquele ambiente é a comunidade. Eu levo o mapa e eles localizam os pontos de trabalho, os instrumentos que utilizam para extrair as espécies e as formas de acesso. A pesquisa é muito importante no sentido da gestão democrática do território”, disse Eline Almeida.

Já a terceira etapa, foram elaborados mapas de relevo da experiência para traçar a vivência dessas mulheres. A metodologia tem por objetivo mostrar a condição feminina no extrativismo e que seu trabalho é importante para a manutenção da biodiversidade local.

A doutoranda Eline Almeida Santos destaca as expectativas em relação aos resultados do estudo. “Espero que contribua para aperfeiçoar a gestão pesqueira e da mangaba, que sirva de instrumento para a criação de políticas que fortaleçam o trabalho feminino, sua participação nas esferas de decisão e, consequentemente, a resiliência da paisagem, visto que são as guardiãs dos saberes e da manutenção da biodiversidade local”.

 

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sexta-feira, 3 Março, 2017 - 09:00