Curta FAPITEC/SE no Facebook  Siga-nos no Twitter  Compartilhe-nos no Google+  Conecte no LinkedIn  Assine FAPITEC/SE 

Pesquisadores desenvolvem medicamento para tratamento da sepse com substâncias da casca da laranja

Um estudo está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) com algumas substâncias que estão presentes na casca da laranja (Citrus sp). O objetivo do estudo é produzir formulações farmacêuticas incorporados com nanotecnologia para o tratamento da sepse em neonatos, que é caracterizada por manifestações múltiplas, e que pode determinar disfunção ou falência de um ou mais órgãos ou mesmo a morte, sendo considerada uma das 10 principais causas de mortes de pacientes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A sepse representa um grande desafio para os sistemas de saúde em todo o mundo em vários aspectos, especialmente no aspecto socioeconômico, sendo considerado um problema de saúde pública mundial. No Brasil, a sepse tem alta incidência e possui uma alta taxa de mortalidade, principalmente em crianças recém-nascidas e idosos. A sepse é uma resposta sistêmica do organismo a uma infecção, que pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários. Normalmente, o sistema imunológico entra em ação para atacar a infecção e impedi-la de se espalhar.

Segundo o professor da UFS e coordenador do projeto e do Laboratório de Neurociências e Ensaios Farmacológicos (LANEF), Lucindo José Quintans Júnior, a sepse é uma condição clínica que a depender do estágio que o paciente estiver, as chances de recuperação são baixas e em alguns casos, os medicamentos hoje disponíveis no mercado não mostram eficácia no tratamento.

Como alternativa de tratamento, um estudo está sendo realizado com a casca de laranja, rica em compostos polifenólicos tais como os flavonoides (potentes antioxidantes), para a criação de um medicamento menos tóxico e eficaz no tratamento da sepse. Segundo o professor Lucindo Quintans, Sergipe é um estado rico em produtos naturais com ação farmacológica muito importante e ainda pouco explorados, como é o caso da laranja, onde Sergipe é um dos maiores produtores brasileiros, ocupando a quarta posição no ranking nacional de produção de laranja. As cascas e o bagaço da laranja são basicamente inexplorados, mesmo sendo abundantes em flavonoides. O custo do isolamento dos compostos polifenólicos e a falta de estudos contribuem para o incipiente uso da casca e do bagaço da laranja em Sergipe.

“O projeto trabalha com algumas substâncias que estão presentes na casca da laranja, principalmente os flavonoides que são substâncias antioxidantes e que podem possuir ações neuroprotetoras, cardioprotetora, anti-inflamatória e analgésica”, explica o professor.

O professor Lucindo ainda destaca que o estudo é muito importante, pois a sepse já foi caracterizada como um problema de saúde pública mundial e especialmente o Brasil que registra um crescente número de casos.  A incidência da sepse grave aumentou 91,3% nos últimos 10 anos.

Estudo

A bolsista de pós-doutorado e doutora em Bioquímica em pela UFGRS, Luana Heimfarth, também faz parte do projeto, explica que a proposta é aproveitar um insumo que seria destinado ao lixo, como é o caso da casca da laranja, e transformar num benefício para população.

Ela conta que o principal objetivo do projeto é criar, a partir de substâncias presentes na casca da laranja, um medicamento menos tóxico e mais seguro, que seja capaz de auxiliar no tratamento da sepse, principalmente a neonatal, para assim, diminuir a mortalidade e as sequelas decorrentes dessa doença.

“Queremos desenvolver uma formulação que tenha baixa toxidade, principalmente, para bebês recém-nascidos e que venha diminuir a mortalidade e também diminuir o que a gente chama de morbidade. Muitas vezes a criança sobrevive, mas fica alguma sequela como um problema cognitivo, na área de aprendizado, na memória e dificuldade na escola”.

O professor Lucindo Quintans ainda explica que a formulação que está sendo desenvolvida não terá como foco principal o efeito antimicrobiano (uma das principais fontes de quadros de sepse), mas o uso seria depois que a sepse já está instalada, a fim de tentar reverter o processo inflamatório que ocorre.

“Aliando à tecnologia farmacêutica a nanotecnologia a gente está incorporando estes produtos naturais em formulações farmacêuticas, tentando minimizar esse processo inflamatório para que o próprio sistema imunológico do paciente possa contribuir para recuperá-lo, podendo assim ser utilizada como adjuvante, ou seja, junto com outras medicações que já existem ou como medicamento principal” explica o professor.

O projeto está na fase inicial onde estão sendo desenvolvidas formulações que estão na fase de caracterização e busca pela melhor dose efetiva. A parte pré-clínica, que é o estudo realizado em animais de experimentação, já está começando a ser realizado e até o final do ano a expectativa é ter o resultado da primeira etapa.

“Nos testes preliminares, os resultados são promissores e a gente já conseguiu inibir boa parte do processo inflamatório, mas ainda numa fase preliminar, mas o estudo está numa fase muito promissora já que os resultados alcançados até o momento estão em conformidade com nossa hipótese inicial”, ressalta Lucindo.

Importância do Incentivo

O projeto é fruto do programa de pós-doutorado desenvolvido pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE), que concede auxílio financeiro e uma bolsa. O professor Lucindo destaca que a Fapitec/SE é essencial para fomentar esse tipo de pesquisa, que tem uma aplicação direta para a população e a possibilidade de geração de recursos, caso o medicamento seja aprovado, e formação de recursos humanos nas áreas que auxiliam no desenvolvimento do Estado.

“Se você imaginar que se não houvesse o aporte da Fapitec/SE esse projeto não poderia ser realizado, deixando de valorizar a ciência do Estado. Iniciando esse projeto junto com a Fapitec eu tenho a possibilidade de aprovar com outros órgãos de fora de Sergipe, como, por exemplo, o CNPq, a CAPES e a FINEP ou órgãos de fomentos internacionais. Então, acredito que o fomento da Fapitec foi essencial para o desenvolvimento desse projeto, para formação de recursos humanos e a consolidação da ciência e tecnologia no Estado”.

 

 

 

Email, Print, send to Twitter, send to Facebook, and more
Arquivos relacionados: 
Termos relacionados: 
terça-feira, 2 Maio, 2017 - 10:30